UM BATE-PAPO COM

PAU BRASIL

Sábado, dia 24 de novembro, para a penúltima apresentação musical do Metso Cultural, teremos Nelson Ayres, piano; Paulo Bellinati, violão; Noa Stroeter, contrabaixo; Ricardo Mosca, bateria e Teco Cardoso, saxofones e flautas que integram o grupo Pau Brasil desde o ano de 2004 e vêm atuando como uma das mais destacadas formações da música instrumental contemporânea do Brasil. Com uma carreira nacional e internacional estabelecida desde a década de 80, o grupo promove uma sonoridade única, passeando entre o primitivo e o contemporâneo. Ao longo de seus mais de trinta anos de existência, o Pau Brasil traz em seu currículo apresentações nos mais renomados festivais e teatros do Brasil, além de inúmeras tours e apresentações pela Europa, Estados Unidos e Japão. Os voos improvisados e o esmerado tratamento musical das composições próprias e das releituras de diversos compositores brasileiros, fazem do grupo um patrimônio vivo da música brasileira.

Um show que integra uma sólida proposta musical com performance artística de alta qualidade, descontração e bom humor, além da
participação especial de uma das maiores cantoras de todos os tempos no Brasil: Mônica Salmaso.

A apresentação acontece no
Teatro Municipal de Sorocaba às 20h30 com ENTRADA GRATUITA (Retirada dos ingressos a partir das 19h00 no dia da apresentação).

NÃO É ACONSELHÁVEL PARA CRIANÇAS MENORES DE 06 ANOS.

O Metso Cultural foi idealizado e é organizado pela MdA International com o Patrocínio Exclusivo da empresa Metso e Apoio da Unimed Sorocaba.

Confira abaixo o bate-papo entre Paulo Bellinati, violonista do Pau Brasil e Marco de Almeida, diretor artístico da temporada.
 

1 - Como você vê o desenvolvimento musical em nosso país? Acredita que o país esteja em um patamar melhor do que, por exemplo, em 2005? Sendo uma das principais fontes de financiamento das artes no país, qual a sua análise sobre os rumos que as leis de incentivo devem assumir no país?

Eu acho que o Brasil estava melhor que 2005 até dois anos atrás. Existe uma certa apreensão e estagnação do mercado de trabalho musical de dois anos para cá e eu ainda não sei o que vai acontecer. O Brasil cresceu muito do lado artístico, com artistas espetaculares e muita gente fazendo trabalhos maravilhosos. O país tem essa geração de artistas e de pessoas geniais o tempo inteiro. Eu conheço muita gente fazendo música muito boa e acho que a música, de modo geral, evoluiu muito, por um lado tem um mercado comercial, com uma música inclassificável, mas a música que a gente faz eu acho que evoluiu sim, e os músicos são mais sábios e experientes, e fazem uma música de um nível maior. A música brasileira cresceu!

Sobre as leis de incentivo é fundamental e são super importantes. Infelizmente compreendidas erroneamente por tanta gente. Uma empresa que quer ajudar/patrocinar um artista ou até mesmo colocar seu nome atrelado a um artista importante, tem todo o direito de fazer isso e fazer a coisa caminhar. Nós já fizemos vários projetos através de lei de incentivo e é fundamental. Sou super a favor e ela deve continuar, ser apoiada e aperfeiçoada, a lei de incentivo é uma benesse para a cultura no Brasil, de modo geral, não só para a música.

 

 

 

2-  O Pau Brasil e Mônica Salmaso já tiveram inúmeras colaborações entre elas no CD e DVD “Noites de Gala, Samba na rua”. Devemos esperar algumas canções deste trabalho nesta apresentação?

Sim, com a Mônica Salmaso nós temos essa parceria maravilhosa, que, aliás, foi patrocinada através de Lei de Incentivo.  Rodamos o Brasil inteiro na época em que nós gravamos o disco, foi muito importante, tocamos em vários lugares e teria sido impossível de fazer sem o patrocínio, sem uma empresa que incentivasse e que fizesse esse trabalho maravilhoso se tornar possível.

Para essa apresentação, iremos tocar algumas músicas e algumas novidades também, vai ser muito bonito. É um prazer muito grande nos encontrarmos com a Mônica de novo e fazer um pedaço desse show que a gente gosta tanto.

 

3- No Brasil, as paisagens são tantas, que não poderíamos deixar de ter uma quantidade enorme de grupos assimilando toda essa cultura, transformando-a em música boa. O Pau Brasil é uma das principais referências da música instrumental brasileira à partir da sua criação nos anos 80. Existe uma enorme geração totalmente influenciada pelo grupo.  E vocês: O que os inspira ainda hoje para criarem, desenvolverem, tocarem juntos?

Justamente, o que nos inspira é ver essa juventude se dedicando, tentando fazer e melhorar ainda mais a música. Compondo, criando, fazendo shows e participações. Nós temos essa consciência que nós plantamos essa semente de alguma maneira e ver isso frutificar é a principal fonte de inspiração. O que nos motiva é continuar fazendo, no meu caso eu não sei fazer outra coisa, então a inspiração, às vezes, temos que buscar, mas a música é o nosso meio de vida, então fazer música é algo diário. Às vezes temos que nos forçar e sair da preguiça para trabalhar e entregar as encomendas, mas a inspiração é constante e quando não tem, a gente tem que dar uma volta na rua, olhar o passarinho, buscar a inspiração para continuar fazendo.

 

 

 

4- Você poderia nos dizer um pouco sobre o último trabalho lançado pelo Pau Brasil: Daqui? Quais são os projetos do grupo para o futuro?

 

Temos o “Daqui” e o “De Lá” (DVD do nosso trabalho mais recente). Eu acho o disco do grupo incrível, mostra um pouco a evolução do Pau Brasil que buscamos a vida inteira. Tem uma parte autoral, com composições do grupo e também temos a nossa meta que é prestar homenagem aos nossos mestres Villa Lobos, Moacir Santos, Baden Powell, Tom Jobim, compositores que estão presentes no “Daqui”. O Grupo foi ficando mais refinado e acústico, como, por exemplo, outro dia que eu estava escutando o primeiro LP e percebi que tocava muito mais guitarra com pedaleira e distorção do que violão, a maioria das músicas era com guitarra e uma ou outra com instrumento acústico. Com o tempo os instrumentos elétricos foram ficando de lado e nós fomos ficando cada vez mais acústicos, eu preferindo tocar com violão, o Rodolfo de contrabaixo acústico e o Nelson de piano de cauda, então o grupo foi ficando refinado nesse sentido instrumental. Isso reflete um pouco a busca da música de nós. Fomos indo para a essência, mergulhando e compondo no universo de Villa Lobos. O Pau Brasil é um laboratório imenso, sempre que a gente ensaia, muitas ideias aparecem, e essa evolução é bem nítida para nós. Ficamos muito orgulhosos de ter feito esse caminho, pois são quase 40 anos de grupo e em toda essa discografia/caminhada tem uma linha mestra que é a dedicação 100% pela música brasileira, mas também queremos nos aprimorar cada vez mais e ser mais essenciais, deixando as coisas “supérfluas” de lado, ficando com a instrumentação completamente mais simples e acústica, e no outro sentido a música foi ficando mais sofisticada e refinada.

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