BATE-PAPO EXCLUSIVO COM

EDU LOBO

A 12ª Temporada do projeto Metso Cultural apresentou durante o ano de 2018: 09 shows gratuitos, sendo 07 no Teatro Municipal e 02 no Parque do Campolim, sempre aos sábados. Além das apresentações, o projeto ofereceu Oficinas de Música com Zuza Homem de Mello e o compositor, violonista e Professor Dr. Sergio Molina.

Dia 01 de dezembro, encerrando o Metso Cultural, teremos uma apresentação extra com um dos principais protagonistas da história da MPB: Edu Lobo.

Cantor, compositor, arranjador e instrumentista, Edu Lobo foi um dos interpretes da transição da bossa nova para a depois chamada MPB e uma das figuras-chave da era dos grandes festivais. “Arrastão”, fruto de sua parceria com Vinicius de Moraes, foi a canção com que Elis Regina venceu o I Festival Nacional da Música Popular Brasileira, em 1965. Desde então, sucederam-se como companheiros de trabalho artistas de diversas expressões e vertentes: Gianfrancesco Guarnieri, Ruy Guerra, Capinam, Torquato Neto e Chico Buarque são alguns exemplos.

Juntam-se ao palco com Edu Lobo alguns dos maiores músicos do Brasil, Cristovão Bastos (piano), Mauro Senise (sopros), Alberto Continentino (baixo acústico) e Jurim Moreira (bateria)


A apresentação acontece no Teatro Municipal de Sorocaba às 20h30 com  ENTRADA GRATUITA  (Retirada dos ingressos a partir das 19h00 no dia da apresentação).

NÃO É ACONSELHÁVEL PARA CRIANÇAS MENORES DE 06 ANOS.

O Metso Cultural foi idealizado e é organizado pela MdA International com o Patrocínio Exclusivo da empresa Metso e Apoio da Unimed Sorocaba.

Confira abaixo o bate-papo exclusivo entre Edu Lobo e Marco de Almeida, produtor de Edu Lobo e diretor artístico da temporada.
 

1. Oi Edu, obrigado por esse rápido bate-papo. Fico muito curioso e ouso te perguntar o que te estimula concretamente a compor? Quando se dá para você o start para iniciar uma nova composição?

Lá pelos anos sessenta e setenta, os encontros entre os compositores era muito intenso. E havia sempre aquela pergunta, quando o violão estava com você: “alguma coisa nova?”. Então a preocupação com as canções era enorme e elas tinham que surgir.

A diferença para os dias de hoje é que, ao meu ver, o start existe muito em função de um projeto, para o teatro ou cinema, com os seus personagens pedindo as canções e também, é claro, a influência do diretor. A chamada encomenda, me interessa demais.

 

2. Tua música tem uma importância e uma imensa influência para todos os bons músicos brasileiros. Você é uma das maiores referencias entre as referências musicais brasileiras. A tua música, feita juntamente com os teus grandes parceiros, é complexa como melodia, texto, harmonia, porém ao mesmo tempo muito popular. A que você atribui isso?

Aí você me pegou, meu caro amigo. Não sei ser crítico em relação ao que eu faço em música e vou te dar um exemplo: há poucos anos atrás, recebi uma encomenda da Osesp para compor uma suite. Fiquei trabalhando por mais de um mês, no primeiro movimento que deveria ser um frevo de rua, instrumental, num andamento estonteante e um dia, ao ouvi-lo, tive a pior das impressões e, mais do que isso, uma certa vergonha de mandar o frevo para o meu amigo super talentoso Nelson Ayres e pensei, seriamente em deletá-lo e começar um novo. Bom, não sei como surgiu a ideia de tentar uma espera de vinte dias, para descansar daquela melodia. Os vinte dias se passaram e quando fui reouvir, o frevo me pareceu totalmente diferente, muito mais rico. Foi então que ele partiu para o Nelson que, é claro, fez uma orquestração espetacular. Como você pode ver, é assim que funciona a minha cabeça. E o frevo se chama Pé de Vento.

 

 

3. Para mim é difícil dizer qual música de Edu Lobo eu gosto mais. Mas, Edu Lobo tem as suas preferidas músicas de Edu Lobo?

Eu sempre tive uma certa preferência pelas canções mais lentas, acho que o desgaste delas é menor. Então podia escolher por exemplo o Canto Triste e a Canção do Amanhecer (com o Vinicius), o Dono do Lugar e Branca Dias (com o Cacaso), A Beatriz, o Choro Bandido e a Noites de Verão (com o Chico), o Prá Dizer Adeus (com o Torquato Neto) e Prá Você que Chora e A Morte de Zambi (com o Guarnieri) e Dos Navegantes e Peregrina (com Paulinho Pinheiro).

 

4. A tua geração criou a nossa memória musical popular. Uma geração não fácil de se repetir! Mas, atualmente, do que é considerado popular no país tem algo que te atrai, te interessa, te faz ouvir?

Tenho ouvido ótimos e, na sua maior parte, desconhecidos compositores, que tem muito pouco acesso aos meios de comunicação e se sentem, na maioria das vezes, meio perdidos aqui no Brasil. Muitos já partiram para outros países (como o meu filho Bernardo que mora em Lisboa), coisa muito dolorosa de se constatar.

 

5. Edu, você sempre foi um baita cantor tendo uma voz – como disse Elis Regina “da maior gravidade”, um grande intérprete além de imenso musico e compositor. Mas, você já me disse algumas vezes que não se considera um cantor. Nunca te perguntei, mas sempre quis entender o porquê, já que contraria a minha e a opinião de milhares de outras pessoas que também te adoram cantando.

Nunca pensei em ser cantor, e é por isso, que geralmente canto as minhas canções. Agora com a idade, acho que a minha voz encorpou, está um pouco mais grave e melhor. Portanto tenho me divertido mais, fazendo esse papel.

 

 

6. Novamente em parceria com Mauro Senise e Romero Lubambo você lançará em 2019 um novo trabalho chamado “Quase Memória”, dando sequência a esta profícua parceria musical que se iniciou com o “Dos Navegantes”, lançado em 2017. O que devemos esperar sobre o repertório das tuas canções para este novo lançamento? Você poderia nos adiantar alguma coisa?

 

Esse meu trabalho com o Mauro e o Romero tem sido muito rico; as intervenções instrumentais são constantes e brilhantes e esse próximo CD, o “Quase Memória”, acho que o título que me foi cedido gentilmente pelo Cony, já diz tudo. Uma parceria inédita com o Vinicius “Silêncio” umas outras com o P. Pinheiro “Peregrina” e “Terra do Nunca”. Mas a escolha das canções já gravadas obedece ao meu desejo de lidar com canções não muito ou nada conhecidas e que vejo, com alegria, por causa do empenho de todos os músicos, que elas, de certa forma, renascem.

Prá terminar essa nossa conversa vamos aos nomes dos craques que fizeram parte do CD: além do Mauro e do Romero, tivemos o Cristóvão Bastos no piano, a Anat Cohen, clarinetista excepcional, o Kiko Horta no acordeon, Jurim Moreira na bateria e na percussão e o Bruno Aguiar no baixo acústico.

 

 Um grande abraço do,

  Edu

 

Agradeço esta tua disponibilidade por me ceder o teu tempo para este pequeno bate-papo exclusivo para o nosso Projeto Cultural no qual você retorna pela segunda vez, para imensa honra nossa.

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